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domingo, 4 de agosto de 2013

Réquiem Para Um Assassino - Paulo Levy


"Por um momento, o delegado sentiu-se acossado pela atenção sobre ele: a multidão de um lado e os urubus de outro."

Parecia uma manhã como outra qualquer na pequena Palmyra, uma cidade histórica no litoral do Rio de Janeiro. A caminho do trabalho, o delegado Joaquim Dornelas se espanta com um movimento incomum nas ruas. Diante da Igreja de Santa Teresa e da Antiga Cadeia, no Centro Histórico, uma multidão observa o corpo de um homem atolado na lama seca do canal. Ninguém sabe como o corpo foi parar lá. Não há sinais de arrasto, marcas de barco, violência, ferimentos, nada. Apenas um band-aid na dobra interna do braço esquerdo. Abandonado pela mulher e longe dos filhos, o delegado Dornelas, um tipo humano, amante de cachaça e de mingau de farinha láctea, se envolve de corpo e alma no caso em busca de salvação. Sem aviso, a irmã do morto e um vereador poderoso aparecem para dar informações importantes sobre o que se tornaria um caso de dimensões bem maiores do que Dornelas poderia imaginar. Aos poucos se revela uma complexa teia de interesses envolvendo a política, o tráfico de drogas, a prostituição e a comunidade local de pescadores. A intuição aguçada, a cultura e o conhecimento das forças que movem a natureza humana permitem ao delegado Joaquim Dornelas se mover habilmente pelo emaranhado de fatos e versões que a trama apresenta. O que a princípio seria mais uma investigação na sua carreira, se torna para o delegado uma jornada de transformação pessoal.



Começando pela introdução, o drama principal é entregue sem muitos rodeios. Ainda nas primeiras páginas você se depara com a descrição do assassinato - que será conhecido como o Crime do Mangue. Isso colabora para que o foco fique especificamente em cima do homicídio no princípio do livro. Com o desenvolvimento da história e o eventual aparecimento de testemunhas e suspeitos, o cenário vai se tornando mais amplo e passa a abranger setores que anteriormente não poderiam ter ligação entre si.

Juntamente com as investigações, a adaptação pessoal do delegado Dornelas à sua nova realidade (resultado do distanciamento da família) vai se apresentando aos poucos. Na verdade este é um pequeno detalhe no enredo, já que não é dada tanta atenção à esta aresta dos acontecimentos. Claro que existem os pontos onde pessoal e profissional se encontram - pontos bem aparentes - mas, diferente de livros que trazem títulos enganadores, este cumpre sua proposta inicial não desviando em momento algum.

Como todo crime que merece história literária, alguns acontecimentos irão conturbar as conclusões do leitor. Coisas simples e coisas mais consideráveis. O andamento do livro nos leva em uma viagem por toda a burocracia necessária nos centros policiais, desde a preservação da cena do crime até as coletivas de imprensa. É sem dúvidas um passo-a-passo de tudo que, normalmente, os investigadores devem passar para o fechamento de uma investigação. Incluindo as partes entediantes, como por exemplo ser obrigado a ter um político charlatão enchendo sua cabeça com informações sobre frutos do mar.

O final do crime, quando as peças se encaixam e formam uma linda imagem em HD, é na verdade bem esperado. Explicando, a partir de mais ou menos a metade do livro, nós já somos levados a crer em certas possibilidades, a acreditar que Fulano matou Ciclano com ajuda do Beltrano. E sim, isso é realmente o que aconteceu. Claro que os detalhes são apresentados só no finzinho mesmo, detalhes os quais apenas a mente incrível do delegado foi capaz de interpretar.

Não existem surpresas muito cabulosas. Aquilo, por exemplo, de todas suas crenças serem negadas e no fim das contas ter sido o lobo mal que matou a Bruxa do João e Maria, sabe? Pois é, aqui a Bruxa nem morreu, o Príncipe Encantado conseguiu encontrar ela à tempo, e eu estou desviando do assunto. Mas só mais uma coisa, talvez a Bruxa tenha morrido sim. O Príncipe atrasou alguns minutinhos.
Interpretem isso como quiserem. Quando lerem, entenderão.


Bom, falando da linguagem agora.
A coisa que mais gostei no livro foi sem dúvida a escrita. Sem enrolação, sem enfeite demais. Direta, sem maquiagem. Compreendem?
Uma coisa é isso e ponto. Ela é isso e você não está em condições de duvidar. Por que está escrito assim. Sem metáforas.
Neste quesito o autor está mesmo de parabéns. Há tempos não encontrava uma linguagem tão... Difícil de se cansar. Por que sim, não dá para enjoar. Você não tem que se esforçar para entender.

E isso nos leva à..
Conceito geral.
Réquiem Para Um Assassino é um livro ótimo para se ler em intervalos curtos. É um livro agradável do tipo que você pega para ler na viagem. Sem complexidade ou tramas embaraçadas demais, é de leitura rápida e prazerosa.

Dados>>
Título: Réquiem Para Um Assassino
Autor: Paulo Levy
Páginas: 220
Editora: Bússola
Ano: 2011

Avaliação:

E claro....
Muito obrigada ao pessoal da Editora Bússola que enviou o livro para resenha. Autografado e tudo. 
Valeu mesmo.

2 comentários:

  1. oi sou eu de novo tem tag nova la no blog para voce, quando der da uma passada por la para ver!! napratheleira.blogspot.com.br

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  2. Muito boa a resenha, vou analisar melhor este livro pois inicialmente não me agrada muito. Gostei muito do blog, vou seguir.

    Abraços

    reaprendendoaartedaleitura.blogspot.com.br

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